A ciência como ferramenta no tênis de mesa

Matéria da USP para divulgar o lançamento do livro “Tênis de Mesa – Teoria e Prática”, em 2006. Sou uma das organizadoras. Foi uma honra enorme organizar um livro aos 26 anos.

Raquete na mão, bolinha de um lado para o outro, e a rede no meio do caminho. O tênis de mesa é um esporte aparentemente simples – tanto que faz sucesso como passatempo, recebendo o apelido de “pingue pongue”. Mas, para seus praticantes de alto nível, a modalidade exige técnicas refinadas e uma observação apurada do jogo, além de aprimorados treinamentos.

E esses treinamentos, como em todos os esportes, têm como base a experiência de técnicos e praticantes. Mas uma mãozinha da ciência sempre ajuda – e é isso que o livro Tênis de Mesa: Teoria e Prática tenta trazer. A obra é uma compilação de textos de 13 autores, sob organização da jornalista Kelly Nagaoka e dos pesquisadores Cristina Akiko Iizuka e Welber Marinovic – este último, mestre em educação física pela Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP. Além de Marinovic, outros pesquisadores da EEFE assinam textos na obra.

Divulgação e literatura

A ciência pode ajudar no treinamento do tênis de mesa através do estudo dos movimentos desenvolvidos pelos seus atletas – “que é um esporte baseado em movimentos de interceptação”, como explica o professor Cássio de Miranda Meira Júnior, da EEFE, um dos co-autores do livro. Meira aponta que a base do tênis de mesa está em interceptar a trajetória feita pela bolinha – e a maneira como essa interceptação é feita é o que define o sucesso ou fracasso de um atleta no jogo.

“Analisamos os tipos de rebatidas realizadas pelos atletas, e verificamos quais são as que apresentam melhores resultados”, comenta o professor. A idéia é que, com base na análise científica descrita no livro, treinadores orientem seus atletas a baterem corretamente na bola para obterem melhores resultados na partida.

Para desenvolver seu texto para o livro, Meira recorreu a publicações destinadas inicialmente a outros esportes, como tênis e vôlei. São duas as razões pelo uso de literatura de outras modalidades: uma é que a adaptação de conceitos é possível de se fazer, já que tratam-se, no caso, de esportes baseados em movimentos de interceptação. A outra razão é a carência de publicações específicas voltadas para o tênis de mesa.

Sobre essa questão da carência de publicações, a jornalista Kelly Nagaoka aponta que é hora do tênis de mesa receber mais espaço no Brasil – justamente para deixar de ser visto como “pingue pongue”, um passatempo, e efetivamente como um esporte. “Precisamos de mais divulgação, de mais mídia envolvendo o tênis de mesa”, diz a jornalista. Ela conta que na China o esporte é um dos mais populares do país, a ponto dos atletas receberem status de estrela, como os jogadores de futebol por aqui.

Trazer a academia e a ciência para o esporte, estreitar a relação entre as duas áreas pode ser uma saída para aumentar o interesse pelo tênis de mesa no Brasil. Afinal, se o treinamento se aprimorar, melhor será o nível dos atletas e possivelmente o País teria um ídolo na modalidade, o que de imediato atrai mais praticantes e admiradores. “No livro, procuramos, além de sugerir métodos de treinamento, falar mais da história do tênis de mesa e de como o esporte se desenvolveu no Brasil”, diz Kelly.

Desde o básico

Mas a análise técnica do tênis de mesa não se resume aos movimentos mais complexos ou mais vistosos, como uma cortada; ela também é necessária em ações aparentemente simples, como o ato de segurar a raquete.

O pesquisador Rogério Hirata, do Laboratório de Biofísica da EEFE, desenvolveu para o livro um estudo cinemático dos movimentos básicos do esporte. A análise teve como base a biomecânica, área na qual Hirata é especialista. “Descrevemos os movimentos básicos do esporte, e com base nos estudos sugerimos quais os modos corretos para executá-los”, explica o pesquisador, mestre pela EEFE. Para realizar seus estudos, Hirata analisou fotos, filmes e jogadores em ação “in loco” – e, com base nos cálculos, sugeriu métodos para treinamento.

Texto: Olavo Soares

Fonte: USP Online

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