Documentário “Cláudio Kano, o Atleta do Detalhe”

Tive o privilégio de conhecer e conviver em treinos e torneios com o grande mesa-tenista Cláudio Kano, que nos deixou em 1996 por conta de um acidente de moto.

O que mais lembro com carinho de Cláudio foi o dia que ele reuniu diversas meninas, no Mc Donald’s da Juscelino. Era o início dos anos 90. Ele queria nos passar a experiência dele da Suécia. Destacou a parte de preparo físico que precisávamos melhorar muito. Lembro que ele estava muito suado. rs

Como é interessante lembrar do Cláudio, dessa atitude tão bonita de preocupação com o tênis de mesa feminino. Foi uma bela atitude de um líder.

Também me ajudava nos treinos, assim como Hugo Hoyama, na época que eu defendia o clube ADR Itaim Keiko.

Depois de iniciar o esporte, em 1986, treinar firme a partir dos anos 90 até 2000/2001, jogar pela seleção, estagiar no Japão e na China, competir em diversos países interessantes, organizar o livro “Tênis de Mesa – Teoria e Prática”, em 2006, agora ganhei mais um presente por meio de minha ferramenta de trabalho: Facebook. Desde a semana passada, faço parte da equipe do documentário “Cláudio Kano, o Atleta do Detalhe” na área de pesquisa. A produtora está em busca de vídeos, histórias e fotos com o querido Cláudio (e-mail: memoriakano@paranoidbr.com).

Cláudio será um dos homenageados e imortalizados em documentários produzidos com recursos do programa Petrobras Esporte & Cidadania, por meio do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, realizado em parceria com a ESPN Brasil.

Saiba mais:

Fonte: Memória do Esporte

Cláudio Kano deixou sua marca no tênis de mesa brasileiro e mundial

Cláudio Kano não chegou a ser um medalhista olímpico. Mas sua carreira, desconhecida para a maioria dos brasileiros, reúne elementos muito especiais, que revelam o perfil não só de um grande atleta, mas de um verdadeiro ídolo. Estudioso e detalhista, Kano começou a praticar o tênis de mesa com apenas 9 anos de idade. Dono de um estilo único de jogo, foi cinco vezes campeão brasileiro, quatro vezes campeão sul-americano, seis vezes campeão latino-americano e ganhou 12 medalhas Pan-americanas.

Cláudio participou de duas Olimpíadas, Seul e Barcelona, e encerraria sua carreira em Atlanta. Sua meta era figurar entre os 8 maiores da competição. Ele havia passado 3 meses no Japão, treinando intensamente, e emagrecera 9 quilos, atingindo o auge de sua forma física. No entanto, um dia antes de embarcar, Kano sofreu um acidente de moto e acabou falecendo. A carreira de um dos maiores mesa-tenistas do Brasil acabava ali.

Contar esta história é uma maneira não só de homenagear a memória de Cláudio Kano, mas também de realizar registro inédito sobre a modalidade em nosso país. Embora seja um esporte extremamente plástico e interessante imageticamente, nunca foi feito um documentário nacional aprofundado sobre o tema.

O filme também pretende divulgar, incentivar e estimular o desenvolvimento futuro deste esporte, o mais popular do mundo – são 40 milhões de praticantes. Aqui, o famoso ping-pong faz parte da vida de muitos brasileiros como brincadeira dinâmica, mas o esporte levado a sério, com estatuto de competição olímpica, ainda tem muito a crescer.

Ficha técnica:

Documentário: “Cláudio Kano, o atleta do detalhe”

Produtora: Dreamonoid Brasil Ltda

Denis Kamioka, diretor do documentário, já jogou tênis de mesa na ADR Itaim Keiko

Diretor: Denis Kamioka (Cisma)

Localidade: São Paulo (SP)

 

A aventura de cobrir sozinha os nikkeis no Pan 2007

Demorou, mas saiu. Ao ver o Pan de Guadalajara, precisava escrever um pouco da experiência de cobrir sozinha, pelo Jornal Nippo-Brasil, os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

Essa matéria deu um trabalho... Pesquisar toda a parte histórica, ver o arquivo do jornal.rs

Já fazia anos que trabalhava no jornal semanal. Ficava mais na parte de internet. Quando começou a divulgação dos atletas nipo-brasileiros no torneio, percebi a importância do jornal cobrir o evento, já que desta vez era no Brasil e seria pertinho, no Rio.

Meses de antecedência para falar com a diretora. Ela gostou da ideia. Mas precisava antes conseguir um hotel barato. Muitas pesquisas e só hospedagem cara. E um milagre aconteceu. Naquela época, viajava algumas vezes ao Rio para acompanhar meu marido a trabalho. Ele, que é fanático por escalada, aproveitava para trabalhar e escalar. Mas daquela vez eu não queria acompanhá-lo na escalada e decidi passear sozinha pelas ruas cariocas. Um pouco perdida, tinha o telefone de uma amiga carioca, árbitra de tênis de mesa. Quis pedir dicas de passeio e lembrei que, em breve, teria o Pan e da possibilidade de estar de volta em poucos meses. E, surgiu, através daquele telefonema do orelhão em pelo centro da cidade, o meu ingresso ao Pan por meio da querida Sonia Helt: “Kelly, se quiser, pode se hospedar em casa”. Essa frase mágica foi uma das responsáveis por eu cobrir o Pan pelo Nippo-Brasil.

Muitas reuniões, alguns receios por eu ir sozinha, mas no final deu certo. Consegui passar cerca de 2 semanas no Rio para cobrir os 51 nikkeis no Pan.

Dia a dia da cobertura

Era uma loucura. Dormia cerca de 3 a 4 horas por dia. Fazia o planejamento. Via quais atletas tinham mais chances de medalha. Estava cada hora em um lugar. Ou era na natação, para cobrir Lucas Salatta, Tatiane Sakemi, Diogo Yabe e Mariana Katsuno, ou no judô, para ver Danielle Yuri, na esgrima para acompanhar Heitor Shimbo, etc.

Colegas de jornalismo nikkei e não nikkei estavam presentes, como Eric Akita e Luciana Kulba (Nippak), Flávio Perez (Rádio Eldorado), entre outros. Na sala de imprensa estavam os maiores veículos de comunicação do Brasil, aqueles que um dia sonhava em trabalhar. As equipes contavam com pelo menos um fotógrafo. E eu, sozinha, escrevia e fotografava, e agradecia o presente de estar lá. Obrigada, Suzana! :)

Agradeço também ao William Takamoto, Ciro Saito, Patrícia Baer, Nobu Taka, Helder Horikawa, toda a equipe do jornal que ajudou a fazer uma boa cobertura do Nippo-Brasil no evento.

Escrever diariamente para o site e fazer matérias especiais ao jornal semanal foi uma experiência e tanto. Já tinha feito isso pelo iG, na Universíade – Jogos Mundiais Universitários de Pequim/2001, em meu primeiro ano de jornalismo na Metodista. Com isso, posso afirmar que a essência do jornalismo eu vivenciei com todas as letras por duas vezes!

Curiosidade

Voltei à redação logo após o recorde de medalha de ouro do mesa-tenista Hugo Hoyama. Dois dias depois, já estava de volta ao Rio para cobrir a ginástica rítmica, com Luisa Matsuo, e os saltos ornamentais, com Tammy Galera. E quase não pude ver nunca mais os jogos. Na estrada, o carro girou na pista molhada na Serra das Araras. Por muita sorte, não passava nenhum carro. O único problema foi o pneu furado. Chegamos cedinho no Rio, lá pelas 5h da manhã, e acordamos a amiga Sonia.

Tive aula de Jornalismo Freelance há menos de uma semana. Contei um pouco dessa história e o professor gostou. Isso me incentivou mais a escrever e mostrar um pouco dos detalhes que vivi no dia a dia do Pan de 2007.

Mais fotinhos no Facebook.

 

Abril no Centenário

Depoimento no site “Abril no Centenário da Imigração Japonesa”: http://www.japao100.com.br/perfil/136/historia/487/


Conquistas no tênis de mesa

Jogo tênis de mesa desde os seis anos. Minha base foi formada com a ajuda de diversos técnicos (Marcos Yamada, Fábio Takahashi, Lincon Yasuda, Issamu Kawai, Marcio Souza, entre outros). Um dos mais marcantes foi o técnico Maurício Kobayashi, que formou grandes atletas, como Hugo Hoyama e Cláudio Kano. Após conseguir bons resultados em torneios, aos 10 anos, fui uma das escolhidas para integrar o seleto grupo de atletas do treino da tarde da ADR Itaim Keiko.

Meus dois irmãos mais velhos, Luiz e Eric, começaram os treinos comigo, mas deixaram logo. Eu continuei. Sinceramente, acreditei que não iria agüentar. Ainda uma criança, treinava de segunda a sexta, das 14h30 às 19h. Nas férias, os treinos eram em dois períodos, incluindo o horário das 9h às 12h. Ainda tinha dias que antes do treino da manhã íamos correr no Parque do Ibirapuera. Na maioria dos fins de semana havia torneios. No começo também minha mãe Satomi era quem me incentivava e estava sempre comigo no torneio ao lado da amiga Minako Takahashi (presidente na época do clube), torcendo e me apoiando.

Os resultados foram aparecendo. Em 1993, aos 13, fui vice-campeã dos Abertos dos Estados Unidos. No mesmo ano, ainda na categoria infantil, consegui a vitória no Sul-Americano Infantil em Poços de Caldas (venci uma venezuelana na final) e a classificação para o Latino-Americano Juvenil, em Guatemala. Foi bom, pois ainda infantil consegui o 3º lugar no individual entre as juvenis. No ano seguinte, recebi o convite para fazer o estágio de três meses na companhia Butterfly em Tóquio. Adolescente, aprendi muito com as broncas dos japoneses em relação à disciplina e horário.

Em 1995, mais uma vitória no Sul-Americano Juvenil na Venezuela e novamente uma final contra uma venezuelana. Último jogo do torneio, lembro que estava muito cansada, e na semifinal contra uma argentina nem bater bola conseguia direito. Todos diziam que a campeã seria uma venezuelana. Parecia que já estava tudo certo. As venezuelanas tinham muito mais força e contavam com a ajuda da torcida da casa. Por isso, foi inesquecível vencer este torneio, que até rendeu matéria no jornal em que trabalhei (Nippo-Brasil).

Na final, perdi o primeiro set e no segundo set perdia por 17 a 9. Pela primeira vez na carreira esportiva, recebi um cartão amarelo por demorar a sacar. Joguei ponto por ponto, busquei e venci por 21 a 18. No terceiro set, 21 a 14. Um dia de superação inesquecível!

Em 1996, surgiu mais uma oportunidade de crescimento. Fiz um estágio de dois meses em Xangai, na China. Eu e a mesa-tenista Ayumi Suenaga fomos as primeiras a iniciar o intercâmbio entre o clube Itaim Keiko e a China. O combinado era ficarmos um mês. Surgiu a oportunidade de poder permanecer mais um mês. Ayumi preferiu voltar e deixou o esporte logo em seguida.

Era um espetáculo ver os treinos das chinesas. Treinávamos de segunda a sábado, das 8h às 11h e das 15h às 17h30, e alguns domingos na parte da manhã. As garotas de 12 a 18 anos eram as melhores da região e moravam juntas. Estudavam somente uma vez por semana. Apesar desta dedicação, nenhuma chegou à seleção chinesa.

Morava na casa do técnico. Cerca de cinco meses depois da minha volta ao Brasil, consegui a classificação mais significativa de minha carreira: o Mundial na Inglaterra, em 1997.

Após viagens para mais de dez países e estágios na China e Japão, deixei os treinos diários no esporte quando iniciei a faculdade de jornalismo, em 2001.

Hoje ainda vou bater bola de vez em quando. É uma diversão que me acompanhará pelo resto da minha vida.”